22 de jul de 2016

Daddy Long Legs e a nossa vida

Ontem apareceu na minha timeline um post com alguns jogos viciantes para iPhone. Faz tempo que eu não tenho joguinhos no celular, por mais que uns anos atrás eu fosse a louquinha do Candy Crush, e então resolvi dar uma olhada na lista. Achei interessante um chamado “Daddy Long Legs”, catei na App Store e baixei. Depois disso a inocência foi perdida. 

A descrição não tem muito mistério: “controle uma pequena criatura. Coloque uma perna na frente da outra e tente não cair”. Poxa, a gente anda de um lado pro outro diariamente e é tão fácil, qual é a dificuldade disso – fiquei me perguntando, enquanto o jogo baixava. Mal sabia eu. 

Download feito, descobri que o jogo é basicamente isso mesmo: cada clique movimenta uma perna. Mas quem foi que disse que é fácil? O game play abaixo não é meu, mas é exatamente a mesma experiência de jogo que eu tive: 



É incrivelmente frustrante, porque não é necessário fazer nenhum comando absurdo, apertar mil botões, montar uma estratégia. É basicamente ter que colocar uma maldita perna na frente da outra e seguir um caminho em linha reta. Não tem que pular. Não tem que entrar em canos e bater em cogumelos. É seguir r e t o. 

E o pior de tudo é que cada vez que você mete um “try again” aparece escrito “Daddy Long Legs and his 80th fall”. Sim, o jogo faz questão de expor a quantidade de vezes que você caiu. E como vocês podem ver nesse print abaixo, eu já derrubei o infernal Daddy nada mais nada menos do que 139 vezes. Isso que eu baixei o jogo ontem de noite.



Bom. Tudo isso pra dizer que Daddy Long Legs é mais ou menos como a nossa vida. A cada dia de manhã a gente tem que sair da cama pra colocar uma perna na frente da outra e seguir em frente. Invariavelmente a gente cai, mas daí podemos começar de novo. Caímos novamente, temos vontade de chorar, largar tudo. Mas temos a chance de ir de novo. E de novo. E de novo. É frustrante, às vezes até sem sentido. Talvez a gente nem saiba no fundo qual é o nosso objetivo, mas sabemos que a ordem é seguir. Então seguimos. E quem sabe a gente ache pelo caminho alguma recompensa. Quero descobrir. 

Quem foi que disse que joguinhos imbecis não podem trazer reflexões? 

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