29 de ago de 2011

let there be rock!

Nunca fui uma pessoa do tipo que lê biografias. Sempre tive a impressão de que seriam livros com histórias chatas, envolvendo um monte de nomes e fatos que não me interessavam nadinha. Na realidade, já li algumas biografias de jornalistas e tudo o mais, mas nunca apareceu nada que me fizesse dizer “meudeus, preciso saber sobre toda a vida dessa pessoa!”.

Isso mudou.

Há algum tempo atrás, zanzando por uma livraria – coisa que faço sempre que possível -, me deparei com o Let There Be Rock – a história da banda AC/DC. Pensei “caralho, meu pai vai AMAR esse livro”. Não era Natal, não era aniversário, não era Dia dos Pais, mas comprei mesmo assim. Entreguei o livro e sim, eu estava certa: ele amou. Tanto é que nos dias que se seguiram só era possível ver um pedaço do rosto do patriarca da família Dias – escondido por trás da capa preta com um cara suado.

Ele vibrava com o livro, lia alguns trechos emocionantes em voz alta, admirava as fotos do meio da publicação. Eu ficava contente por ele ter gostado do presente, mas meu entusiasmo não passava muito disso. Sim, eu gostava de AC/DC, um monte, mas, sei lá, era uma biografia, né. Eu tinha aquele preconceito com biografias.

Então o tempo passou, veio meu aniversário e eu me vi rodeada por 12 (isso, você leu certo, DOZE) livros novos. Naquele pânico e ansiedade de decidir por qual ler primeiro, fiz o óbvio: escolhi um livro que não estava entre os 12. É, isso mesmo. E ok, isso não é óbvio, é uma coisa bem estranha e típica de Nicole. Mas eu vi o do AC/DC parado lá junto com os outros e pensei “é tu”. E peguei ele para ler, junto com o finalzinho do terceiro da trilogia Millenium e mais um bobinho de menininha – sim, eu sou do tipo que lê vários livros ao mesmo tempo.

E pronto, foi, viciei. Viciei nos irmãos Young, que já se agarravam nas guitarras antes de saber ler. Viciei em Bom Scott, sua ousadia e sua genialidade para escrever letras de duplo sentido. Viajei em turnês intermináveis, ri de histórias engraçadas, escutei as músicas um ziguilhão de vezes, olhei todos os clipes. Fiquei triste com a morte inesperada do primeiro vocalista e simpatizei com o medo do segundo, de assumir o posto. E me arrepiei com o retorno triunfal da banda, depois de muitos anos sem lançar nenhum álbum. Foi aí e que me dei conta que estava lendo em voz alta os mesmos trechos que o meu pai tinha lido. E tive que escutar um colega falando que "a Nicole andava viciadinha em AC/DC". É, verdade.

É claro que eu poderia puxar esse post para um lado cabeça e passar toda uma lição do tipo “veja só as oportunidades que você perde quando tem preconceito com as coisas...”, mas eu não sou chata, então não vou fazer isso. apenas digo para vocês: leiam, leiam esse livro. Se vocês não curtem o som do AC/DC, vão achar que é apenas mais uma história de uma banda qualquer. Mas se você gosta... Por favor, leia.

Ou então me conta: qual biografia você leu e amou? Tem alguma para me recomendar? Ou você é do tipo que não curte biografias? Me conta! E aguarde o post sobre o meu novo vestidinho de bolinhas, sobre o Planeta dos Macacos e sobre o meu instinto maternal.

P.S.: Nicole Dias escreveu esse post ao som de Who Made Who e Jailbreak.

15 de ago de 2011

guria de apartamento

Eu moro em apartamento desde sempre. Aliás, eu moro no MESMO apartamento de sempre. E por mais que as pessoas venham e digam “aiiiiii, tu mora em apartameeeeento, aiiii”, eu nem ligo, porque eu gosto.

Alguns dos vizinhos também moram aqui desde sempre, então tudo bem bater na porta deles para pedir uma xícara de açúcar ou vender um número de rifa. É, isso acontece nos filmes e também acontece aqui na vida real, aqui em Estância Velha.

Ok, eu não tive uma turminha para brincar na rua, como as outras crianças de antigamente tinham. Sabe aqueles amigos que saiam juntos para andar de bicicleta, ou jogavam, sei lá, taco no meio da rua? Pois é, eu não fazia isso. Também não corria pela rua até minha mãe me chamar para a janta. Mas isso não quer dizer que eu não tenha tido uma infância feliz.

Até pouco tempo, eu me considerava bem normal, nem um pouco diferente das pessoas que não foram criadas em apartamentos. Foi quando aconteceu uma coisa que me fez perceber que eu sou sim uma guriazinha de apartamento.

Eu bem feliz ali, jogando The Sims (o 3, não o de Facebook – que sim, eu também jogo), quando comecei a me lembrar de muito tempo atrás, quando eu ia na casa da minha amiga Gê e a gente jogava The Sims 1. Pensem, faz muito tempo mesmo. A Gê fazia uma casas enormes e se puxava muito no jardim. Colocava arbustos, fontezinhas, canteiros, calçadinhas, cerquinhas ao redor dos canteiros, flamingos, etc etc. Daí eu estava pensando nisso quando voltei para os dias de hoje e dei uma boa olhada na casa que eu estava jogando.

Me dei conta de que não coloco NADA no jardim dos meus Sims. Nem uma plantinha. Nem um anão de jardim. Nem uma pedra. Nada nada nada. Quer prova maior de que eu sou uma guria de apartamento? Eu não ligo para jardins. Eu não tenho um jardim!

Será que vou precisar ir pra terapia por causa disso algum dia? A tia terapeuta vai ter que me entregar um lenço enquanto eu, entre lágrimas, vou ficar dizendo: “jardim. Era o que me faltava mesmo. Eu não tive um jardim.”.

Pensando bem, tomara que não.

3 de ago de 2011

o fim da moleza

Então hoje, meus amigos, acabou a molezinha. Acabaram os dias de chegar do trabalho, tomar banho e se jogar debaixo das cobertas para ficar lendo. Acabaram os dias de sair da agência, dar aquela passada no shopping, comer um lanche, fazer comprinhas e voltar pra casa bem tarde. Acabaram os dias de ficar decorando casas no The Sims até elas ficarem dignas de uma revista Casa e Jardim. Acabaram os dias de encontrar os amigos pra ficar comendo batata frita e jogando conversa fora.

Isso tudo porque hoje vai ser o meu primeiro dia de aula desse semestre. É claro que eu já estou envolvida nessa rotina de faculdade desde 2007 (sim, 2007) e sei muito bem o que é pegar ônibus no frio e chegar em casa só perto das 11 da noite. Não é bonito. Mas ok, não falta mais muito.

Então esse post é apenas para dizer que hoje, enquanto vocês estiverem em casa lendo, pintando as unhas, vendo novela, dormindo, comendo massa, tomando um banho quentinho, navegando na internet, etc etc, eu estarei tendo aula de Comunicação e Mídia Internacional.

Ninguém disse que o mundo era justo, né?