19 de jun de 2017

O que aconteceu quando fiquei um dia inteiro sem maquiagem

Tem dias que eu acordo e sinto que sou uma participante de RuPaul Drag’s Race: me maquio aos montes e por detalhe não colo uns cílios postiços. Por outro lado, tem dias que mal penteio o cabelo e dou apenas uma tapeada com base no rosto. O fato é que raramente eu saio sem maquiagem de casa, pelo menos um corretivinho/lip balm eu passo, mesmo que seja para ir rapidinho pagar uma conta. 

Até que esses dias chamei minha preguiça de “experimento social” e resolvi encarar todas as atividades de um dia sem passar nada na cara – fora os produtos de rotina que eu já uso.

De cara lavada eu peguei ônibus, fui até o trabalho, trabalhei, almocei com colegas e ainda fui para o cursinho de idiomas de noite. Interagi com inúmeras pessoas, de todas as idades, amigas, conhecidas ou simples companheiros de transporte público. E sabem o que me aconteceu? 

Isso mesmo, absolutamente nada. Ok, tirando a parte que minha professora perguntou se eu estava triste – mas esse foi apenas um detalhe que pode nem estar relacionado com a minha face pelada, e sim por eu estar mais quieta, sei lá. Fora isso, ninguém comentou nadinha sobre minha ausência de maquiagem.

Esse fato me deixou pensando… Eu sou tão consciente dos meus próprios “defeitos” que pensava que as pessoas observariam com horror o meu nariz vermelho, as olheiras, as manchas de sol perto de olho ou o melasma que mais parece um bigode logo embaixo do meu nariz. Eu conheço cada pedaço feio do meu rosto e imaginei que essas pequenas coisas fossem bastante óbvias e totalmente visíveis aos olhos dos outros. Me enganei.

Enquanto a gente acha que as pessoas estão rindo da nossa mancha que parece um bigode, elas podem estar pensando que a cor do nosso olho fica linda quando bate no sol ou que bacana que está nosso cabelo daquele jeito bagunçado. Ou podem nem estar dando atenção alguma pra isso – porque nós temos essa mania de achar que os outros estão notando ou pensando na gente o tempo todo quando na verdade não dão a mínima e estão apenas tocando suas próprias vidas. 

Seja com a cara pintada feito uma maravilhosa drag queen ou com todas as pintinhas à mostra e sobrancelha falhada, a lição que tiramos disso é que o que importa mesmo é a gente se sentir bem. Eu sei que estar maquiada me deixa mais confiante, então é isso que continuarei fazendo. Mas não é o meu nariz vermelho que vai me impedir de sair sem nada se algum dia desses eu me sentir a fim. Partiu ser feliz com ou sem make?

Text publicado originalmente na Margot Magazine, dia 20/04/2017.

6 de abr de 2017

O dia que bati minha cabeça no portão da garagem

Sabe essa coisa de andar por aí mexendo no celular?

Ontem eu fui uma vítima.

Tirei fotos do cachorro da minha vó e estava olhando se alguma tinha ficado boa, ao mesmo tempo em que me dirigia até a churrasqueira na garagem. 

Quando menos esperava, ouço um alto POUM, sinto uma dor latejante no alto da cabeça, caio no chão e sou imediatamente lambida pelos cães, que aproveitam que estou na altura deles. Tudo isso aconteceu em questão de segundos e levou um tempo até eu me dar conta que...

BATI A CABEÇA NO PORTÃO DA GARAGEM PORQUE ESTAVA MEXENDO NO TELEFONE. 

Na hora eu fiquei apavorada e deixei escapar uma lágrima de dor – sou canceriana dramática. Pensei que estava sangrando e tal. Passado o susto, vi que estava tudo bem. Menos mal.

Mas obviamente fiquei um tempão refletindo sobre isso, sobre como o celular rouba nossa atenção de tudo que está ao nosso redor – mesmo quando a gente não está caminhando por aí. Essa coisa de olhar e-mails e notificações o tempo todo, mesmo quando não tem nada. Essa coisa de mexer no celular à procura de alguma coisa. Qualquer coisa. Essa ansiedade de saber tudo que está acontecendo o tempo todo com todo mundo.

Levanta a mão se você olha o celular de manhã cedo, antes mesmo de sair da cama.

Eu faço isso.

Mas agora vou pensar bem se é isso mesmo que eu quero. 

O calo no topo da minha cabeça não me deixa esquecer.