25 de fev de 2014

Bolinha verde do chat do Facebook

Sento em frente do computador e lá está você, por trás daquela bolinha verde do chat do Facebook. Gosto de pensar que você está em casa, no sofá. Com um cachorro deitado perto e uma xícara de café esfriando do lado – assim como eu, você também gosta da bebida.

Penso em te chamar. Clico na janelinha e resolvo deixar pra lá. Dizer um oi não basta quando a vontade é maior. É de correr na chuva junto, um rindo da cara do outro. É te dizer todas as coisas que sempre tive vontade, e perguntar tudo o que eu sempre quis saber. Já chorou com algum filme? O que tu quer fazer daqui um ano? E três? E vinte? Já se perdeu no meio do shopping? E quando vejo, perdida estou eu me lembrando dos seus olhos.

Quero sair por aí sem avisar, com você como meu copiloto – porque nos sonhos sou eu que dirijo sempre. Quero desenhar sorrisos nos teus joelhos, pra gente dizer que é o Ozzy Osbourne e não está sozinho nunca. Quero descobrir onde você sente cócegas, por mais que você diga que não sente nadinha. Te fazer ver que as coisas podem ser boas e que a gente não precisa ter medo de arriscar. Tanta coisa se ao menos tudo fosse diferente de como está.


Só que daí eu lembro que nada disso vai acontecer enquanto você continuar sendo apenas essa bolinha verde no meu chat do Facebook.

4 de fev de 2014

Todas as coisas que os bancos deveriam oferecer para as pessoas que estão esperando por atendimento

Não costumo ir muito ao banco – o que é bom, já que eu acho um saco toda aquela função para passar pela porta giratória:

Coloca o celular na caixinha. Tenta passar e a porta trava. Volta, tira as chaves da bolsa. Tenta passar e a porta trava. Volta, tira umas moedas de um centavo que estão soltas, assim como a carteira e uns grampos de cabelo. Tenta passar e a porta trava. Volta, coloca na caixinha as barras de cereal e o livro do Nicholas Sparks que você está lendo. Tenta passar e a porta trava. Volta, tira toda a roupa. Tenta passar e a porta trava. E assim ao infinito, até que você faz cara de louca para o guardinha que fica lá dentro (intimamente rindo de você, óbvio), que faz com que a porta destrave.


Costumo resolver meus assuntos financeiros - cof cof – pelo caixa eletrônico ou pela internet. Mas esses dias, devido a uma conta atrasada, tive que encarar a porta giratória (consegui passar de primeira!!), pegar uma ficha e esperar para ser atendida. E esperar. E esperar. Nunca havia ido a uma agência do HSBC – e agora eu fico super feliz por nunca ter tido essa experiência antes. Como eu não sou cliente do banco, não tinha nenhuma preferência de atendimento, por isso os idosos e correntistas eram chamados antes. Ok, isso eu entendo. Mas ter que ficar DUAS HORAS sentada esperando por um atendimento de 1 minuto é algo que não, eu não entendo. Perdi todo meu horário de almoço e mais uma parte da tarde esperando pra pagar uma simples continha da faculdade. 

Mas como eu sempre procuro enxergar as coisas pelo lado bom – por mais que eu adore ficar praguejando e reclamando – aproveitei o tempo ocioso naquele gelado ar condicionado para ler um livro. Só que eu já estava terminando a leitura, então o livro já não era uma opção em menos de 10 minutos. Então comecei a ficar com frio e fome. Provavelmente alucinando, abri o bloco de notas do celular e comecei a listar todas as coisas que os bancos deveriam oferecer para as pessoas que estão esperando por atendimento. Vou reescrever do jeito que anotei. Prepare-se. 

20 minutos de espera.
Café.  Wifi liberada e boa. Livros e revistas. 

1 hora de espera.
Rissoles, croissants doces e salgados. Opções de sucos. Pantufa. Manicure. 

Quase duas horas de espera.
Dentista. Avaliação capilar. Esteira. Plataforma vibratória.

Mais de duas horas de espera.
Jogos e dinâmicas de grupo. Um personal stylist para dar dicas de moda para as pessoas. Cachorrinhos e porquinhos em miniatura. Um cara fazendo stand up comedy. 

Então, quando minhas ideias começavam a ficar cada vez mais mirabolantes, foi minha vez de ser atendida. Soltei um sonoro ALELUIA, o que provocou risos nos meus colegas de infortúnio. A moça que me atendeu nem olhou nos meus olhos. Vaca. Com certeza ela seria mais feliz se porquinhos em miniatura corressem contentes pelo saguão do banco.