30 de nov de 2015

Trilha do Rio do Boi: eu fui!

Se já não bastasse viajar pra Argentina, pro Uruguai, patinar no gelo e colocar silicone, 2015 ainda vem e me surpreende com a oportunidade de fazer uma das trilhas mais bonitas e hardcores do Brasil. E é claro que eu fui, né? No domingo (dia 29/11), fui fazer a famosa trilha do Rio do Boi.
Vou contar essa experiência em tópicos, pra esclarecer as dúvidas de quem também pretende se aventurar.

Como o post acabou ficando gigante, dividi em duas partes. Aqui eu conto sobre o Rio do Boi e como foi minha experiência. Na parte 2 eu conto o que vestir, o que levar na mochila, como ir e qual o investimento – confira clicando aqui.

Rio do Boi

A trilha fica no Canyon Itaimbezinho, no Parque Nacional Aparados da Serra. Essa é uma das poucas trilhas abertas oficialmente lá no parque, e só pode ser feita com a presença de guias. Ela é feita pela parte de baixo dos cânions, entre paredes que chegam a mais de 700 metros de altura – o que faz com que a paisagem lá seja de ficar de boca aberta. A natureza é toda preservada e a fauna é rica. Acho importante ressaltar que nessa fauna rica estão umas cobras, aranhas e escorpiões hihi. Um tempero extra ao passeio, vai?

Como é

Não vou mentir: não é fácil. O recomendado é que a pessoa tenha um bom preparo físico, porque o negócio é pesado mesmo. Eu estava a pelo menos 2 meses sem fazer nada de atividade física (tirando umas caminhadas eventuais), mas resolvi encarar mesmo assim – e se estou aqui escrevendo é porque sobrevivi, né? :P

A caminhada começa por uma travessia no meio do mato. É subida, descida, pé na lama, bichos pelo caminho (vi uma cobra e ouvi o pessoal gritando por causa de uma aranha das grandes) – em um percurso que dura mais ou menos 1:30. Ah, vale lembrar que essa é a parte fácil do passeio. E mesmo nessa “parte fácil” eu consegui bater a cabeça em uma árvore e cair um tombo que fez eu atolar a mão no barro. Um bom lembrete do que viria pela frente.


Depois dessa parte no meio no mato, chega-se às margens do Rio do Boi. Todo mundo fica feliz porque acha que a parte tensa terminou, mas está apenas começando, hahaha. Por outro lado, a paisagem é de tirar o fôlego.


Indo sempre atrás do guia, segue-se pelo leito do rio, o tempo todo pisando em pedras grandes, pequenas, pontudas, lisas, soltas, escorregadias... É preciso ter atenção a cada passo e bastante equilíbrio. Antes do começo da trilha o guia já alerta sobre a importância de ter cuidado para não se machucar. É mega complicado fazer um resgate nesse lugar, por exemplo. Por isso a trilha deve ser feita com concentração e sem nada de manobras vida loka, tipo tentar pular ou ir rápido demais.

Além de andar pela bordinha, são feitas diversas travessias pelo rio mesmo, com água batendo no joelho e acima dele. É aí que rola aquela tradicional foto das pessoas em uma corrente humana, de mãos dadas. Eu achava que isso acontecia pra foto ficar bonita e com espírito de equipe, mas é tudo real mesmo – as pessoas se seguram e se ajudam, porque a correnteza é relativamente forte, sem falar das pedras e buracos pelo caminho.


O trecho final da trilha é um espetáculo à parte. Aliada com a sensação de “caramba, cheguei até aqui” está a vista fora do comum dos cânions, das cachoeiras ao redor, uma imensidão de verde. Só se ouve a água caindo e os pássaros. Não tem nada nada nada de lixo, é incrível. Emocionada, entrei de mochila e tudo embaixo da água. O guia disse que muitas pessoas fazem isso, é quase um ritual de passagem. Um batizado no Itaimbezinho.


Passada a comoção, lembrei que teria mais umas 4 horas de caminhada de volta. Nesse momento desejei que um helicóptero da SAMU viesse me buscar. Queria deitar na água e deixar a correnteza me levar pra casa. UHAUHAE Como não tinha alternativa, respirei fundo, tomei meia garrafa de isotônico e comecei a retornar.

Ah, sem desespero, gente. Vale lembrar que ao longo do percurso são feitas algumas paradas em que o pessoal pode lanchar, descansar, tirar fotos, se banhar nas cachoeiras ou mesmo encher garrafinhas na água do rio, que é potável e geladíssima. Obviamente tomei água do rio. Se era para viver uma experiência nova, que fosse de todas as maneiras possíveis. Também nadei, boiei, mergulhei a cabeça, de roupa e tudo. É por essas e outras que todo o esforço vale a pena.  


Quer ler a segunda parte do relato? Vem que tem! 

27 de nov de 2015

O mal do “vou tentar ir”

Entre tantas coisas ruins acontecendo nesse mundo todo, me dou conta de algo que me incomoda DEMAIS – e que acontece muito na geração a qual estou inserida: o “vou tentar ir”.

Seja um aniversário, uma festa ou mesmo um churrasquinho no final de semana.  Você convida uma pessoa porque valoriza a presença dela e quer estar perto dela nesse momento. Ela diz que “vai tentar ir”. Tentativas à parte, a chance de ela aparecer de fato no evento é muito pequena.

E é esse “tentar ir” que não entendo. Me parece vago. Como assim a pessoa vai tentar ir? Vai ver se consegue uma carona de alguém? Vai ver se os pais deixam? Vai ver se tem limite no cartão de crédito? Vai esperar pra ver se não aparece nada melhor antes?  Vai tentar levantar da cama que está tão boa? Vai ver se não tem nada de bom no Netflix e daí vai ir?

- cara, por que você não foi no batizado do meu filho?
- ah, pois é, tentei ir mas não deu...
- como assim tentou? Onde você estava?
- eu estava em casa, mas tentei mesmo...
- mas você era o padrinho da criança!
- é, foi mal, tentei VALENDO mas não rolou...

O que é tão importante nesse “tentar” que fica exatamente entre a sua resposta de SIM ou NÃO? Às vezes as pessoas estão contando com a sua presença – seja porque pagaram alguma coisa (comida, bebida, etc) ou mesmo para poder conversar. Já parou pra pensar?   

Algumas sugestões para você falar quando for convidado para alguma coisa:
- tenho outra festa antes, mas se acabar cedo eu VOU.
- tenho aniversário de 99 anos da minha avó. NÃO VOU.
- se meu pai me emprestar o carro dele EU VOU. Te aviso até dia tal.
- puts, só tenho 5 reais pra sobreviver mais uma semana. NÃO VOU.

É tão bonito, tão simples, tão honesto.

Sejamos mais assertivos. E deixemos menos amigos na mão porque “tentamos” mas não conseguimos.

10 de nov de 2015

Virei uma pessoa que curte plantas

Era mais um domingo e eu estava sentada em casa trabalhando – porque sou do tipo que trabalha em domingos. Eis que em um estalo eu resolvo que quero comprar umas plantas. Assim, do nada. Jogo o nome da floricultura que fica a 4 quadras da minha casa no Google, pego o telefone deles, telefono com uma pitada de esperança e descubro que sim, eles estão abertos em pleno domingo.

Até então, todas as experiências que tive com plantas não tiveram sucesso. Várias vezes ao longo desses meus 26 anos eu resolvi que queria ter hortinhas. Adoro essa ideia de autossuficiência, de consumir as coisas que eu planto e tal. Então ia lá, comprava as sementes, plantava direitinho e observava até que os verdinhos cresciam. Depois disso deixava pra Deus, sabe? Ou melhor, pra minha mãe cuidar.  Tive uma vez umas salsinhas e até cheguei a colocar na minha comida, o que foi bem legal, mas confesso que não tinha a disciplina de ver se precisava molhar, tirar as plantinhas mortas, etc.

Dessa vez eu fui até a floricultura com algo diferente em mente: cactos e suculentas. Isso porque li em vários lugares que essas plantas não têm muito mistério, basta molhar uma vez por semana no verão e uma vez por mês no inverno. Level easy, né?

Cheguei na floricultura, escolhi um cacto e uma suculenta, paguei 4,50 por cada um. Trouxe para a agência e coloquei na minha mesa. Eu sabia que gostaria do visual, porque plantas ficam massa na decoração. O que eu não sabia é que eu ficaria tão apaixonada e obcecada por essas plantas.

Chamei a suculenta de Débora e o cacto de Regina, porque acho que as coisas que a gente gosta precisam ter nomes especiais.




Débora e Regina são pequenas vidas, enfrentando corajosamente o mundo com seus espinhos e partes pontudas. Elas estão aqui na minha mesa de trabalho, miúdas em seus potinhos, com suas pedrinhas brancas enfeitando e a areiazinha que eu fico vendo o tempo todo se ainda está úmida. Elas precisam de mim. Precisam que eu lhes dê amor, água e um pouco de luz natural. Tenho vontade de chorar frente à inocência e beleza delas. E ELAS SÃO TÃO LINDAS.

Se eu estou assim com essas duas plantas, imaginem quando eu tiver um cachorro. Ou um filho.


Bom. Dizem que as pessoas do meu signo, câncer, são boas em cuidar de plantas, têm o chamado “dedo verde”. Até agora eu vinha achando que fiquei só com a parte dramática e chorona dos cancerianos, porque nunca fui exatamente boa com isso. Mas agora, com Débora e Regina (e mais as outras que já quero comprar), acho que a história vai ser diferente. Apenas louca pra esse dom se manifestar JÁ.