13 de jul de 2016

Aulas de alemão

No ano que me formei, 2012, descobri que eu teria que fazer obrigatoriamente o ENADE para concluir a graduação. Para quem não sabe, o ENADE avalia o rendimento do pessoal que está na faculdade e, por consequência, o desempenho das universidades. Para estimular que o pessoal se dedicasse, naquele ano a Feevale resolveu premiar as pessoas que tirassem as melhores notas. Por sorte do destino, já que eu não abri nem um mísero livro para fazer a tal da prova, acabei ficando nas primeiras posições e ganhei um curso de idiomas inteirinho!

Depois de dar uma risada incrédula e fazer uma dancinha da vitória, comecei a pensar em qual curso iria fazer. Não foi uma decisão difícil. Como eu já havia me formado no curso de inglês e manjava o básico do espanhol, resolvi que queria começar alguma coisa do zero. Francês era minha primeira escolha, especialmente porque as mulheres francesas são lindas, a comida é chic e eu quero muito ir pra lá uma hora dessas.

Telefonei para a Feevale para me matricular e descobri que as aulas de francês ocorreriam no horário vespertino, que começa num horário em que eu ainda estou no trabalho.

Então parti para a minha segunda opção: italiano. Tenho essa impressão de que as pessoas na Itália são muito felizes. Além disso, os homens italianos são gatos, a comida é mais incrível que a francesa e eu também quero ir pra lá uma hora dessas.

Ainda falando com a moça da Feevale, descobri que o curso de italiano era apenas de conversação, então eu precisava ter um mínimo de conhecimento do idioma. Tirando o que aprendi com Terra Nostra (como amore mio), não sei formar sequer uma frase. Então falei:

- Tá, me ajuda. O que me resta então?
- Tem alemão às segundas-feiras...

Alemão. Por que eu não tinha pensando nisso antes? Fazia muito sentido. Meu sobrenome é Schmitt. Minha família é de origem germânica. Minha cidade também é. Fora que eu amo Oktoberfest e tudo relacionado a essa cultura.

- PERFEITO, pode me matricular!

Aqui na região onde moro é bem comum as pessoas falarem alemão em casa. É um dialeto do idioma que veio com os imigrantes faz muito tempo. Minha avó e as amigas dela falam, minha mãe entende e eu não manjo nada do assunto.

Então cheguei na primeira aula e a professora entrou na sala e começou a falar em alemão.

- O que vocês entenderam do que eu disse? – ela perguntou.
- Que a senhora tem dois filhos! – disse um colega que fala o dialeto.
- E que mora aqui em Novo Hamburgo – disse outro.

Eu só tinha entendido que ela se chamava Denise, porque foi a única coisa que identifiquei entre aquelas palavras cheias de vogais. Foi nesse momento que me dei conta que estava prestes a encarar um enorme desafio.

Desde então eu vendo tendo contato semanalmente com essa língua que me encanta e me desafia. O vocabulário é totalmente diferente de tudo que eu conheço, embora algumas palavras sejam bem semelhantes com inglês. As regras gramaticais e suas exceções são tinhosas tais como as do português. A pronúncia às vezes parece impraticável. No entanto, conseguir montar uma frase inteira me dá um orgulho sem tamanho.

Fora que é muito engraçado quando as pessoas me pedem pra falar alguma coisa em alemão. Por estar somente no nível básico, falo coisas pouco elaboradas como “eu gosto de bolo” e “eu tenho 26 anos”. As pessoas ficam admiradas como se eu estivesse falando coisas complexas e cheias de significado. Hahahahaha


Quem sabe um dia eu escrevo um post em alemão? :) 

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