6 de nov de 2011

20 dias 20 posts - 19: 3 caipiras na capital




Tem coisa melhor do que sair simplesmente andando por um lugar que você não conhece e aceitar com alegria (ou gritos histéricos) cada novidade que aparece? Bom, pode até existir, mas ontem foi um daqueles dias lendários.

Saí de casa atrasada, como sempre, caminhando ligeiro e comendo um pedaço de cuca pelo caminho, já que não tinha conseguido comer em casa. Saber o que é cuca não é fundamental no relato que se segue, mas se você não sabe o que é e tem curiosidade, é só clicar aqui.

Encontrei minhas amigas na pracinha que é perto para todas. Logo veio o ônibus, embarcamos. E depois pegamos outro ônibus. E depois pegamos o trem. E rolou aquelas conversas que rolam sempre que é a primeira vez que alguém anda de trem.

Eu: - O trem não para, sabia? Ele vai abrir a porta e a gente tem que pular pra dentro dele.

Amiga 1: - Ai, é sério isso? Não é, né?

Amiga 2: - Sim, é sério, tem que correr e pular pra dentro.

Eu: - E tem que fazer sinal pra ele andar mais devagar. Tipo como se faz pra ônibus.

No final das contas a amiga descobriu que nada disso era necessário. Pegamos um trem vazio, que no meio do caminho ficou cheio. E daí eu fui de pé, pra dar espaço pras vovozinhas e pras mulheres segurando bebês. E daí chegamos em Porto Alegre.

E comemos comidinhas no shopping. E fomos na Bienal e um segurança me chamou a atenção dizendo que não era pra encostar nas obras. E eu encontrei uma obra em 3D e só ficava dizendo “que negócio do caralhooo” enquanto ficava indo e voltando, pra perto e pra longe da obra, até que outras pessoas vieram fazer a mesma coisa que eu e eu acabei perdendo o interesse. Pensando bem, Bienal é um negócio absurdamente afudê, mas também é ao mesmo tempo um negócio incrivelmente estranho. Uma instalação, por exemplo, tinha oca enorme de palha, que pra mim não fazia sentido nenhum.

E andamos pela feira inteira, riscando no mapa com esmalte (já que não tínhamos canetas) todos os caminhos por onde já havíamos passado. Ficamos com calor, então compramos refrigerantes gelados e tomamos com canudinho. Olhamos dentro de cada caixa que oferecia livros com desconto – já que os livros lançamento são encontrados por preços muito melhores em qualquer livraria da internet. E ao invés de comprar alguma literatura mais renomada ou sofisticada, morri de amores por um livro da Helen Fielding, custando a bagatela de R$9,90. De dentro de uma caixa da “Saldos – R$5,00” saíram mais dois livros que comprei – Senhora, de José de Alencar, e Longe Daqui, de Amy Bloom. E as comprinhas literárias pararam por aqui.

Então resolvemos ir à Usina do Gasômetro, mesmo sem ter certeza de que caminho pegar. E pedi informação para um tio que estava estacionando carros na rua, em uma abordagem bem digna para os meus 22 anos de idade:

Eu: - Oi, tio! Onde fica a Usina do Gasômetro? É pra esse lado? Tô perto?

Tio: - Tá perto sim, é só seguir um pouco mais pra lá.

Eu: - YEEEEEEEEEEYYYYY!!! Hã, obrigada!

Chegamos lá, e subimos todas as escadas possíveis e imagináveis, até chegar em uma parte MUITO alta e com janelas trancadas. Ficamos com falta de ar, mas a vista era tão bonita que era difícil de ir embora.

E depois resolvemos voltar para a feira por um caminho alternativo e – para uma garota de interior como eu – desconhecido. E então vimos no outro lado da rua um museu militar com rapazes bonitos e fardados, e tanques de guerra. Uma moça que estava passando por nós na rua, notando nosso óbvio interesse, disse que a entrada era franca. Foi o suficiente para eu falar o vigésimo YEEEEEYYY do dia, atravessar a rua, passar a roleta e entrar no museu.

E tirar uma foto encima de um tanque.

No caminho também encontramos uma igreja bem bonita e eu me agachei no sol escaldante para tirar uma foto onde aparecesse a minha amiga e a torrezinha mais alta do topo da igreja. E passamos por cafeterias charmosas e artistas de rua tocando sax e pessoas legais com tênis verdes e lenços amarrados na cabeça. E encontramos a Casa de Cultura Mário Quintana, bisbilhotamos a biblioteca, assinamos o caderninho de visitas.

Voltamos para a feira do livro e eu vi a Martha Medeiros sentada na praça de autógrafos. A fila para tirar uma foto com ela/pedir um autógrafo/falar silly things estava gigantesca e eu não tive coragem de encarar. Shame on me. Mas sem me dar por vencida, tirei uma foto. Com ela. Mesmo sem ela saber que estava tirando foto comigo.

Quando o calor e o cansaço começaram a dar as caras, entramos no shopping para dar uma descansada e fazer um lanchinho, com o ar condicionado fresquinho e mais o som alto da voz e das conversas de centenas de pessoas que tiveram a mesma ideia que a gente.

O dia começou a chegar no seu final e fomos andando devagar de volta para o trem, parando para olhar a menina evangélica cantando sobre o apocalipse. Na volta, nosso silêncio cansado e feliz falou muito mais do que qualquer “que dia afudê” que eu pudesse falar. E foi assim. :D

Um comentário:

  1. haha, eu que sou de Porto Alegre já não tenho mais esse entusiasmo pela cidade.
    Mas amo o Gasômetro. Vou lá sempre. Ainda não fui na Feira do Livro e não pretendo ir na Bienal. muito estranho pra mim. haha
    Beijo!

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