31 de out de 2011

20 dias 20 posts - 13: dilemas éticos em walking dead

Eles eram um casal apaixonado. Ele loiro, forte, de olhos claros, xerife da cidade. Ela uma mulher magra, interessante, de cabelos pretos e olhos azuis. Juntos tinham um filho esperto e corajoso. Tudo ia muito bem, até que aconteceu. A vida aconteceu, de maneira estranha e sem explicação. Ele foi baleado. A epidemia começou. As pessoas começaram a virar zumbi. Ele foi deixado em um quarto de hospital, dado como morto.

Ela procurou consolo nos braços de outro. O outro também acreditava que ele estava morto. Mas ele não estava morto. Ele voltou. Ela voltou para ele. Ele não sabia o que havia acontecido com o segundo. O segundo aguentou em silêncio. Ela escondeu.

Esse é o enredo de uma das partes de Walking Dead, a traminha que envolve o xerife Rick, sua esposa Lori e o também policial Shane. Rick foi dado como morto, Lori se envolveu com Shane. Rick voltou, Lori esqueceu Shane e voltou para Rick.

E então muita gente guarda esse sentimento negativo com relação ao Shane. Que ele é fura-olha, que ele pegou a mulher do próximo, que ele é um sem vergonha, um filho da mãe, um safado, moleque safado. Sério, o ódio nutrido por ele não é leve não!

Só que sei lá. Não sei o que vocês acham, mas eu acho que não existe nenhum culpado nessa história. Nem o Shane, nem a Lori – e muita menos o imbecil do Rick, que nem imagina que alguma coisa aconteceu. Tá, retiro que eu chamei o Rick de imbecil, porque Deus sabe que eu perderia uns 15 minutos com aquele xerife. UHAUEHAUEHUAHEAUHE Não fiquem ultrajados, eu simplesmente não resisti, sorry.

Mas assim, ó. Na minha opinião, quando a sociedade passa por um troço desses e todo mundo vira zumbi, assim do nada, acho que os valores devem ser revistos. A pessoa fica muito mais centrada em si, por mais que tenha que viver também no coletivo e pensar no bem de todos. Mas a sobrevivência vem em primeiro lugar, não é? Mesmo que eles não saibam muito bem porque eles estão sobrevivendo. Será que vai ter uma cura? Será que eles vão encontrar outras pessoas? Será que vale à pena continuar lutando? Enfim.

Uma traição – se é que dá pra chamar assim – vira um caso tão importante quando todo mundo está morrendo ou virando zumbi e pensando apenas em comer cérebros? É uma questão para se pensar, não é?

Mas na verdade eu escrevi isso tudo porque o Shane aprontou de novo. Nesse episódio 3 da segunda temporada ele faz um negócio que levou muita gente a odiar ele mais do que já odiava. E eu, mais uma vez, achei a atitude dele sensata – por mais horrível que tenha sido. Não vou falar o que é. Ta, vou falar mas vou deixar em branco. Então se vocês querem ler vocês precisam selecionar aqui embaixo, ok?

Shane e um cara chamado Otis estão fugindo de zumbis. Shane está ferido. Eles precisam voltar para a caminhonete pois estão levando coisas para salvar a vida do filho de Rick. Shane atira em Otis e deixa ele para trás, para ser devorado pelos zumbis. Ok, Shane atirou na perna do cara, poderia ter acertado logo na cabeça e acabado com qualquer tipo de sofrimento. E ok mais uma vez, eu não sei se eu mataria alguém e deixaria esse alguém ser devorado – DEVORADO MESMO – por zumbis. Mas ainda assim, acredito que em uma situação dessas os fins justificam os meios. E o fim era salvar o Carl. E o Otis tinha atirado no Carl – acidentalmente, mais ainda assim tinha atirado. Tenso. Confuso. Eu sei.

Enfim, é um incrível de um dilema. Talvez por estar fazendo uma disciplina de legislação e ética é que eu esteja me pegando muito mais nesses detalhes. Ou talvez a série esteja levantando muito mais esse tipo de questão. Muito mais do que uma série de coisas melequentas e zumbis fedidos e headshots, há muitas questões pairando ali. Se você assiste Walking Dead sabe do que eu estou falando.

E se você não assiste Walking Dead, please, assista. E depois volte aqui e leia esse post com outra perspectiva.

E pra terminar:

- Pai, tu acha que eu sou uma idiota por escrever um post sobre dilemas éticos em um seriado de zumbis?

- Não acho nada. Acho só que é um desperdício de letras.

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