6 de jun de 2009

selvageria no supermercado

Recentemente terminei de ler o livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, (a resenha dele você poderá conferir em breve no meu outro blog) e fiquei chocada com a completa falta de ordem que pode ficar o mundo de pessoas que não enxergam, com uma total falta de organização, uma anomia ética, etc etc. Hoje, porém, estive um lugar que me fez ver que mesmo em um mundo onde as pessoas enxergam, a falta de ordem transforma tudo num caos.
Ok, confesso que a escolha do dia e da hora não foi a melhor, mas... Experimente ir em um sábado depois do pagamento, por volta das 19 horas, em um supermercado de uma grande rede. Deve ser o lugar mais próximo do inferno que eu já estive. Não quero citar o nome do supermercado, por ser meio chato e... Tá, foi o BIG! Eu sei que é um mercado popular e tudo, mas apenas lá tinha o que eu precisava, com um preço justo! E lá me fui, sem nem pensar que famílias inteiras e extremamente mal educadas estariam fazendo o rancho do mês por lá.
Pensa na cena: eu procurando o leite condensado que o meu irmão pediu, meu pai vindo atrás. Eu, magricela, tinha que me espremer entre os carrinhos das pessoas transitando pelos corredores. E as pessoas pilotando os carrinhos não estavam nem aí! Nem aí! Elas viam o meu admirável esforço em me locomover e não botavam o carrinho nem um centímetro pro lado. Muito pelo contrário, eles andavam ainda mais. Foi por milagre que saí com as pernas inteiras lá de dentro.
E pior mesmo foi a parte que surgiu de um alto falante uma voz sensual dizendo: "e aproveite agora, no açougue, capa de filé por 6 reais o quilo!" e eu estava mesmo passando ali por perto da sessão das carnes. A aglomeração que surgiu foi inacreditável! Não é que foi uma fila bonita, alinhada - as pessoas praticamente se engalfinharam para chegar perto do balcão do açougue! Selvageria! E eu ali, desviando do labirinto de carrinhos, não achava o maldito Leite Moça. Pedi informação para um cara com um uniforme escrito BIG, que apenas me apontou o corredor certo, com um grunhido digno de, whatever, um orc. Achei e fui para a fila, pagar - e ela estava imensa.
Daí depois da uma fila quilométrica para pagar meus 4 itens, não recebi nem um boa noite da mocinha do caixa. E falei, com minha cara medonha de cínica: olá, boa noite! Daí ela me murmurou um "oi" muito de má vontade. Mas isso não é nada. Ahh, não é.
O estacionamento. Pense que de alguma forma as famílias mal educadas que estavam fazendo rancho foram até o mercado. Sim, elas foram de carro. E sim, elas não se importam nem um pouco de sair do meio da estrada quando você está tentando sair. Ficam lá, tranquilonas, com metado do traseiro no meio da pista, enquanto colocam imensas caixas de leite no porta-malas. Vi um cara até assobiando. Vi uma mulher deixar cair uma Coca Cola e ela sair correndo atrás da garrafa rolando. Bizarro. Sem falar que foi o estacionamento mais mal sinalizado que já vi, poxa vida.
Daí, finalmente, GRAÇAS A DEUS, escapamos com vida daquele lugar. Só digo uma coisa: se você tem paciência, MUITA PACIÊNCIA, eu recomendo essa experiência. Se não, evite.
BIG em horário de rush, nunca mais!

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