Entre casas a dezenas de quarteirões do mar e acampamentos
debaixo de chuva, nos últimos anos eu tenho comemorado o réveillon na praia,
seja no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina. Sempre vou com grupos grandes
de amigos e aproveitamos alguns dias de sol, bebedeiras, jogos de carta,
curtição, bebedeiras, churrasquinhos, músicas grudentas e bebedeiras. No
entanto, em 2014 o final do ano começou a chegar e parecia que as coisas não
iam se acertar: vários amigos não iriam ter férias, outros estavam de viagem
marcada com os pais e outros, ainda, resolveram que seria uma ótima ideia
alugar uma Kombi e ir conferir a virada em Copacabana. Eis que nos últimos
minutos do segundo tempo surgiu uma oportunidade incrível, eu pulei de cabeça e
as coisas acabaram dando mais do que certo: aproveitei os últimos dias do ano
em Buenos Aires, e aqui nesse post eu vou dar as dicas pra quem pretende fazer
isso alguma vez na vida (eu recomendo!).
Primeiro: como ir pra Buenos? Por se tratar de um país
relativamente perto, vale tudo. Eu, por exemplo, fui em uma excursão com mais
umas 30 pessoas, e fomos de ônibus. Como moro no Rio Grande do Sul, a viagem -
entre paradas para xixi, refeições e aduana - levou 24 horas. Pode parecer
cansativo (e até de fato ser um pouco cansativo), mas ônibus de turismo são
confortáveis e acabam sendo uma ótima maneira de você aproveitar o percurso
para já ir conhecendo gente nova, fazendo amigos, cantando músicas bregas, conferindo
paisagens diferentes, etc. De avião é beeem mais rápido, obviamente. É possível
comprar as passagens por você mesmo, aproveitando promoções, ou até contatar
uma empresa para levar o pacote completo, assim como eu fiz (viajei com a
Voando as Tranças, empresa nova e linda da
Adri e da
Pri).
Nos próximos posts eu vou falar sobre viajar de ônibus, o
verão de Buenos Aires, dicas de onde ficar e que passeios baratex fazer, certo?
Foco no Ano Novo, por ora.
Se você pretende viajar a Buenos Aires esperando fogos
maravilhosos como os do Rio de Janeiro, não precisa sair do Brasil, viu? Depois
da meia noite até há uma corzinha no céu, e é claro que emociona – você está
fora do país, preparado para receber um ano novinho em folha, etc -, mas não é
nada de muito espetacular. Estrelinhas, cascatas douradas e nada muito além
disso. Pra mim já estava ótimo, já que eu choro em réveillon até se não tiver
nada. A função acontece em Puerto Madero, que por si só já é um lugar LINDO.
É importante eu mencionar que você precisa ter um prévio
planejamento sobre a noite de réveillon. Os lugares (de lojas ao McDonalds) começam
a fechar por volta das 17h, e se você não comprou nada corre o risco de ficar
sem comida/bebida. Eu, por exemplo, passei a tarde no Malba e, ao voltar pro
hostel, só achei um quiosco aberto. Ou seja, minha ceia consistiu em: um
sanduíche de jamon y queso, um alfajor e uma garrafinha de h20h (minha amiga
jantou um pacote de Cheetos e uma Coca-cola). Vários restaurantes oferecem
programações especiais para o dia 31, com janta, bebidas e festa depois da meia
noite. Também rolam diversas baladas, que começam por volta da 1 da manhã. Vai do
seu bolso e do seu gosto. Vou contar como foi a minha festa.

Depois da ~ceia~, dei uma telefonada para papis & mamis
e depois me reuni com o pessoal da excursão – e mais uma galera brasileira – lá
na frente do hostel. Os meninos haviam levado instrumentos, então rolou samba,
pagode e muita diversão por ali mesmo, enquanto todo mundo tomava vodca com
Gatorade e tragos afins (acho que a ideia era se enlouquecer). Quando deu 23
horas, começamos a cantar ADEUS ANO VELHO, FELIZ ANO NOVO e estourar os
primeiros espumantes, já que já era 2015 no Brasil - em função do horário de
verão, Buenos Aires fica uma hora atrasada. Como nosso hostel ficava na esquina
da Corrientes com a Florida, perto de TUDO, fomos andando até Puerto Madero.
Aqui vale um parênteses:
(Se a sua hospedagem não for bem localizada, provavelmente
você precisará pegar um táxi. Tome cuidado! Os taxistas podem querem cobrar um
valor fechado, muito acima daquele que marcaria o taxímetro. Algumas pessoas me
contaram que um taxista quis cobrar MIL PESOS por uma corrida que normalmente
daria 80. Fora que não é fácil encontrar taxis pela rua na madrugada do dia 31.
Por isso, prefira ir andando (se estiver com mais pessoas) ou combine
previamente com algum taxista – vale perguntar no hotel/hostel se há alguma
indicação de pessoa de confiança.)
Logo começaram os fogos e como a galera já estava um pouco
alta, foi pura emoção. Gente chorando (e não era só eu), muitos abraços,
desejos de felicidades, amor, sucesso, ousadia e alegria, gente caindo, gente
querendo pular a ponte, gente fazendo simpatias, amores e amizades. Ficamos próximos
de um desses restaurantes que tinham uma dessas festas fechadas, então
dançamos, cantamos e piramos ao som das músicas que tocavam por lá mesmo.
Notei que haviam muitos, muitos, muitos brasileiros por lá,
e que eram esses que usavam branco, conforme a tradição. Os portenhos não ligam
muito para isso – e inclusive aproveitam para fugir de Buenos nessa época.
Tolinhos.
Depois disso a minha memória começa a falhar um pouco, talvez
por causa de toda a emoção da noite (outro nome para bebedeira loka), mas
lembro que eu fiquei celebrando que só havia gasto 27 pesos (o valor da minha
garrafa de espumante) no melhor réveillon da vida, enquanto as pessoas da tal
da festa fechada deveriam ter desembolsado pelo menos 500 vezes mais que isso. Antes
de começar a perder a dignidade, voltamos para o hostel e comemos dulce de
leche, bem felizes. Não fui para nenhuma balada, já que eu não tinha grana para
nada, mas posso dizer que foi uma das viradas de ano mais incríveis que já vivi
em todos esses meus 25 anos.
O ensinamento que tive: sua festa não precisa contar com uma
mega produção. Desde que você esteja acompanhado por pessoas do bem, dispostas
a aproveitar a vida do jeito que ela deve ser aproveitada, a festa está feita! Sem
balada, sem jantares elaborados, sem dinheiro gasto a toa. O que rolou foi
felicidade pura, daquelas que ouro nenhum paga. Tenha disposição, coloque um
sapato confortável e aproveite a vida!
Resumão:
- os fogos de artifício rolam em Puerto Madero;
- as lojas começam a fechar por volta das 17h;
- táxis na noite do dia 31 são uma cilada;
- você pode até ir para algum lugar badalado, mas a melhor
festa é você que faz.
Um beijo e até os próximos posts!