20 de mai de 2009

tirando a carteira - parte final: vida de motorista

Ok, ok. Esse deve ser o post mais esperado do ano, de tantas pessoas que vieram me perguntar quando iria sair. Aqui, finalmente, está ele: o episódio final da saga da autoescola. Pra quem perdeu os capítulos anteriores, aqui estão: 1, 2 e 3.


Nos capítulos anteriores acompanhamos a emocionante saga de nossa adorável heroína Nicole pelo sonho de ter uma carteira de habilitação. Vimos ela ser desprezada por Cara Chato, o cara da identidade, rodar no exame de visão e fazer um estranha prova psicotécnica. No entanto, vimos também a vitória: ela passou de primeira na prova teórica e nas práticas de carro e moto. E é chegada a hora. Com a habilitação provisória em mãos, é hora de Nicole rodar livremente pela cidade - e, dessa vez, no banco do motorista de um carro que não é de autoescola.

Então, começam aqui minhas peripécias.

Eu sou uma universitária, pseudo-jornalista e livreira, rica de simpatia mas pobre de finanças. E é por esse motivo que eu não tenho meu próprio carro, o Nick Móvel, e preciso dirigir o carro do meu pai, um Gol bolinha. Detalhe: papai só me deixa dirigir se ele for junto. Isso já é o começo de uma série de histórias... Tenho habilitação A e B, mas só dirijo carro. Não tive a coragem de subir numa moto ainda... Mas assim que subir, contarei aqui.


Embora eu me ache uma ás no volante, eu confesso: tenho muita dificuldade em trocar as marchas. Mas, oras, o câmbio do Gol é diferente do Uno que eu tava acostumada! Certa vez, acelerando o carro para colocar na quinta marcha, eu engatei, sem querer, na terceira. O carro começou a fazer um barulhão dos diabos. Eu disse: "O que é isso? O que é issoooooo?" ao que o meu pai respondeu, em tom monótono: "Tu engatou na terceira!". Eu, apavorada: "E o que eu faço? O que eu faço?". E o pai: "Engata a quarta, oras!". Engatei a quarta marcha e não saí mais dela. "Eu não quero pôr na quinta, eu não sei!", disse, com um resmungo.


Eu sou uma guria que segue as regras. Se a placa diz 40Km/h, é a 40 que eu ando. "Vai mais rápido, Naná, os outros carros tão te passando", diz o meu pai. "Mas pai, os errados são eles. Eu leio as placas e obedeço a sinalização". Eu sou um exemplo para a sociedade. Se todos dirigissem na velocidade que eu dirijo, todos chegaríamos atrasados a reuniões e compromissos sociais, mas evitaríamos diversos tipos de acidentes e imprudências.

Eu não gosto de estacionar! Só de pensar em ter que ficar dando rés, andando um pouco pra frente, ré, olhar espelhos e tal, só pra colocar o carro num espacinho de nada, me dá nos nervos. O que eu faço? Estaciono onde tem espaço - perto de esquinas ou entradas de carros é o ideal. Quando busco meu irmão no cursinho técnico, ele sofre, tendo que ir até onde eu estacionei.

Já faz mais de meio ano que tenho minha carteira provisória e meus amigos ainda acham que eu sou um perigo e uma coisa duvidosa no volante. Não botam fé em mim! Ok, talvez seja pelo fato de que eu me distraio fácil com coisas que ficam passando por mim no trânsito. "Meee, olha o cabelo daquele cara!" ou "Olha ali, a Fulana! Vou buzinar!". Ou pela já comentada dificuldade com o câmbio. Ou talvez por que eu não tenha cara de ser uma motorista decente. Minha cara de doida me condena. Só sei que quando eles dizem: "Tá, eu vou beber, quem vai dirigir?" e eu me prontifico, ele fazem uma expressão estranha e dizem "Hmmmmm, não!" ou "Ahh, que pena, tu tá sem óculos, senão COM CERTEZA eu te deixava dirigir". Triste.

Mas, como dizem, é a vida. A prática leva a perfeição, e um dia eu chego lá. Não se assustem se um dia eu passar dirigindo por vocês e gritar pela janela "Uhh, nego véio!". É uma das coisas simpáticas e amigáveis que eu faço com amigos. ;)


(Cuidado nas ruas! Já pensou numa dessas solta por aí?)

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