5 de jan de 2016

Final do ano no Uruguai: comida, grana, hostel

Olá Brasil, olá 2016, olá vocês. Primeira terça-feira do ano, primeiro post do ano. Cheguei na madrugada de segunda-feira da minha viagem de férias e estou empolgadíssima. Por isso, vou contar tudo por aqui enquanto a rotina não me engole e a memória continua bem fresquinha.

Então. Por volta de novembro, comprei um pacote de uma empresa que até então eu conhecia de nome, mas com a qual nunca tinha viajado: a Trip Tri, de Porto Alegre. A ideia da Trip Tri é promover viagens acessíveis para diversos destinos – ou seja, viajar sem gastar muito. Como não curtir? (Curte a página deles pra acompanhar os outros passeios, todo domingo vai uma trip pra Cambará, por exemplo).

Gostei do roteiro e da proposta, comprei o pacote e passei uma temporada no Uruguai – uma temporada de 5 dias, mas tudo bem. É o que tinha, né. Me segue lá no Instagram @nicolesdias para ver as fotos legais que postei! Durante esses dias, tive a oportunidade de passar por 3 lugares diferentes: Montevidéu, Punta del Este e Colonia del Sacramento. Foi um intensivão de cultura, paisagens maravilhosas e muitas horas andando de ônibus.

Para o post não ficar gigante demais, vou dividi-lo em duas partes. Aqui abaixo eu falo sobre a trip de forma geral: grana, comida, viagem de ônibus, etc. No próximo, que vai pro ar ainda essa semana, vou falar em separado sobre cada uma das cidades por onde passei. Beleza? Então beleza.

O dinheiro

Acho que já falei aqui, brevemente, sobre o dinheiro do Uruguai, mas vamos de novo. A moeda usada por lá é o peso, e não vale muita coisa não. Fazendo uma média da cotação, um real equivale a 7 pesos. Eu troquei uma parte no Brasil mesmo, mas não recomendo. Vale mais a pena trocar nas casas de câmbio uruguaias – e váaarios lugares aceitam reais, do maior mercado até a lojinha de artesanato da esquina.

Ostentando a nota de mil pesos, que vale no máximo 150 reais huehuehu 

A maior pergunta é: quanto dinheiro levar, Nicole? Tirando a parada no freeshop do Chuí, que foi onde fiquei louca, gastei algo em torno de 600 reais. As coisas são caras por lá, mas comi bem, fiz todos os passeios que eu queria e ainda comprei diversas lembrancinhas e alfajores. No pacote da Trip Tri estavam incluídas as hospedagens com café da manhã simples + transporte. Todo o resto saiu do meu bolso. No entanto, é importante ir preparado – ainda mais pra quem não curte almoçar um lanche rápido e tal. Para vocês terem uma ideia, um prato de massa, sem acompanhamentos nem nada, custa por volta de 300 pesos. Isso sem contar a bebida (água por 90 pesos, que tal?) e os 10% pelo serviço. Você gasta fácil fácil uns 60 reais em um almoço. 

Alguns preços encontrados por lá (baseado no que eu vi e comprei):

- alfajores simples: 15 pesos (+- R$3,00)
- cerveja de um litro: 150 pesos (+- R$20,00)
- panchos: 70 pesos (+- R$10,00)
- pizza brotinho (pra uma pessoa com fome ou 2 mais moderadas): 300 pesos (+- R$40,00)
- canecas: 200 pesos (+- R$30,00)
- entradas dos locais/passeios: varia de 20 pesos (farol em Colonia del Sacramento) a 540 pesos (city tour de 2 horas naqueles ônibus turísticos), depende do que você escolher

A viagem de ônibus

Como a proposta da Trip Tri é viajar com economia, fomos para o Uruguai de ônibus! Mas um ônibus daqueles de 2 andares, com poltronas espaçosas, ar condicionado, banheiro e tudo mais. Mais confortável que algumas viagens de avião que já fiz – e mais divertido também. Como são umas 12 horas de Porto Alegre até Punta del Este, por exemplo (com paradas pelo caminho), dá um tempo mais do que bom para você conhecer seus companheiros de viagem. Eu só conhecia a amiga que estava comigo, então eram 50 novas pessoas para trocar ideia. Muito legal.

O hostel

É de conhecimento geral que hostels são diferentes de hotéis, certo? Certo. Ainda assim, as experiências que eu tinha tido com hostels tinham sido bem bacanas – já falei, inclusive, sobre o hostel daArgentina onde fiquei não faz muito tempo, que era DEMAIS. Em Montevidéu eu fiquei hospedada no Planet. Ele fica na rua Canelones e é localizado bem na região central da cidade, perto da entrada da cidade velha e da famosa Plaza Independencia. Uma coisa que achei legal no Planet é que cada quarto tinha o nome de um elemento do sistema solar. Meu quarto era o Tierra, o do lado era Luna.

Bom, vou ser bem sincera. As pessoas que trabalham lá são muito legais e atenciosas, mas a estrutura deixa muito a desejar. Estávamos em um grupo com mais de 50 pessoas. Fomos distribuídos em quartos de no máximo 7 pessoas. No entanto, apenas 2 quartos tinham janelas. Dá pra acreditar? Um espaço pequeno, com muitas pessoas e suas malas e a iluminação vinda unicamente de uma lâmpada daquelas de luz amarela. Por sorte, fui colocada justamente em um dos quartos com janela. Ele ficava na frente do hostel e tinha até uma sacadinha. De forma geral eu fiquei satisfeita, mas me incomodei pelos outros.

O banheiro lá também foi um negócio meio tenso. No andar que eu estava tinha pelo menos umas 30 pessoas dividindo dois banheiros – um bem minúsculo e outro com 2 chuveiros. Nem preciso falar que rolavam umas filas pra hora do banho, né? Era necessário fazer todo um planejamento de passeio-volta-banho ou mesmo aproveitar os horários em que os outros grupos estavam fora. Mas tudo bem, isso é normal, hostels são assim mesmo. O que me incomodou mais foi a água acabar bem enquanto eu estava com o cabelo ensaboado – e isso não aconteceu só uma vez e nem apenas comigo. Acabava, do nada, a água da caixa – e levava uns 20 minutos para normalizar.

O café da manhã simples servido por lá era simples mesmo. Pão, manteiga, uma geleia, leite, achocolatado, chá e café solúvel. Ok, nem todas as acomodações desse tipo oferecem refeições, o que em si já era um bônus, mas teve quem ficou enjoado de comer pão de forma com manteiga durante todos os dias. Por sorte o Planet fica mega perto de vários mercados, padarias e botequinhos, então as pessoas puderam comprar todos os “jamons y quesos” e pães integrais que estavam com vontade.

Por isso é sempre bom lembrar: quando for ficar hospedado em um hostel você precisa ter um certo desprendimento. Esqueça a sua cama maravilhosa (dormi na parte de cima de um beliche barulhento), seu edredom macio, o banheiro espaçoso da sua casa e o café da manhã servido em hotéis. O negócio é barato e simples mesmo. Mas vale a pena. :D

A comida

Se eu pudesse dar um conselho, seria: faça uma dieta antes de ir para o Uruguai. Assim você pode ganhar de novo os quilos perdidos, porque uma coisa é quase certa: você VAI ENGORDAR. Eu engordei. :(

Pode esquecer aquele amado buffet livre nosso de cada dia, com muitas opções de comida e, especialmente, de saladas. Lá no Uruguai o que você vai encontrar, basicamente, é: bife a milanesa, batata frita, carnes/churrascos, batata frita, chivito (que é o nosso bauru), pancho (cachorro-quente), massa, pizza, batata frita e mais batata frita. E papas fritas também – que é como eles chamam as batatas fritas huehuhe. Não sei se as batatas lá são uma paixão nacional, mas elas geralmente estão presentes nos pratos. Milanesa y papas, hamburguesa y papas, etc. Se você quiser uma salada, vai ter que pedir à parte – e uma porção geralmente custa uns 150, 200 pesos.

O dia em que pensei que milanesa en dos panes queria dizer que era um pão encima e um embaixo do bife HAHAHAHA

Uma alternativa é fazer compras nos mercados e cozinhar suas próprias refeições no hostel. Compensa no bolso e tal. Mas como o meu tempo era curto, comia na rua mesmo, quando dava, entre um passeio e outro.

Muitas coisas lá são com jamon, que é presunto. Empanadas, pizzas, até o cachorro-quente tem presunto.

Por outro lado, o melhor doce de leite do mundo é de lá, então você encontra ele por tudo. Sundae do McDonalds com cobertura de doce de leite, picolé de alfajor com muito doce de leite, sorvete artesanal com doce de leite. Cara, que delícia. 

Senhor, obrigada pelo dulce de leche uruguaio
Mas não se empolga não: é proibido entrar no Brasil com doce de leite, em função de ser um produto de origem animal. O objetivo é evitar a disseminação de pragas e doenças no país. Você pode até tentar a sorte, trazer meio na camufla um Conaprole sagrado e torcer para que suas malas não sejam revistadas, mas eu já tive uma experiência bem triste e traumatizante sobre esse assunto – clica aqui se você ainda não leu, então vá com o coração preparado para possíveis perdas.


Se vocês tiverem alguma dúvida sobre o Uruguai ou quiserem mais dicas sobre determinados assuntos, podem colocar nos comentários ou me pedir lá no Facebook. Vocês que mandam. Gracias por lerem até aqui e tchau. 

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