9 de jul. de 2016
Pudim
27 de jan. de 2015
Aquela carinha piscando
Depois de muito tempo, criei coragem para mandar pra você aquilo que eu estava pensando sobre a gente. Mas resolvi mandar assim, como forma de brincadeira. Bem dizem que toda brincadeira tem um fundo de verdade, eu sei como é. Fica aquela coisa de “ela quis dizer o que eu acho que ela quis dizer?”, uma sensação boa, uma cosquinha com sabor de promessa. Então eu escrevi, li e reli 10 vezes. Apaguei, tornei a escrever de outra forma, apaguei mais uma vez e tornei a escrever a primeira opção. Li e reli umas 10 vezes. E enviei.
19 de fev. de 2013
enquanto estiver bom
O que a gente praticava era um jogo de desinteresses. Você, passarinha da asa quebrada. Eu, uma máscara de macho dominador, tendo escondido um cordeirinho sentimental por baixo. Você queria proteção e alguém para escutar os seus devaneios. Eu queria saber o que estava querendo. Embora juntos, não sabíamos para onde estava indo. E enquanto o percurso seguia sem nenhum obstáculo determinante, continuávamos traçando nossas linhas tortas. Não era nenhum enigma porque não existia nenhuma razão de ser.
8 de dez. de 2012
da venda que saiu dos olhos
23 de jul. de 2012
o começo de alguma coisa
O aroma na cozinha se tornava cada vez mais interessante. Senhor Minkos, o gato, veio da sala fingindo desinteresse, mas dando olhadas furtivas para cima do fogão. Anna enxotou ele com o pé, enquanto enchia outra panela com água e colocava sob o fogo. Deu uma mexida na panela dos tomates e experimentou um pouco. Colocou uma pitada de sal e experimentou de novo. Ótimo.
Jogou uma porção de espaguete na água que fervia e pegou no armário sua louça mais bonita. Colocou na mesa um prato, um garfo e uma faca. Escorreu a massa, jogou o molho por cima. Sentou à mesa com a taça de vinho e começou a comer. Nada mal para uma noite de segunda-feira, pensou, satisfeita.
3 de nov. de 2011
20 dias 20 posts – 16: realidades inventadas
Eu e minha amiga caminhando ontem, no final da tarde. O papo rolava fácil, até que eu comecei:
- Amiga, tem algumas coisas com as quais tu simplesmente não deve se estressar muito, sabe? Porque o que vai, volta! Se alguma pessoa foi ruim contigo, ela ainda vai tomar no cu, é bem simples! É tipo um ciclo se fechando.
- Eu sei, eu sei disso!
- Que bom que tu sabe. Então pensa comigo. Algum desses caras que foi idiota contigo, daqui há muito tempo, vai ter uns 70 anos. Vai ser Dia dos Namorados e o neto adolescente dele vai estar apaixonado por alguma mina e sem ter certeza de qual presente comprar. Daí o avô dele vai dizer ‘ahhh, rapaz. Quando eu tinha um pouco mais do que a sua idade, eu deixei escapar a mulher da minha vida. Ela era linda, de família, inteligente. E eu simplesmente não quis ela!’!
- É, panaca, deixou escapar mesmo. E daí eles vão me procurar no Face e veem que eu tô feliz, né?
- Isso! O neto vai dizer ‘mas vovô, nunca é tarde para reencontrar o amor da sua vida! Tu te lembra do nome dele? Podemos encontrar ela em alguma rede social!’. Daí eles vão te catar em algum Facebook e vão encontrar. Só que vai ter uma foto tua com teu marido médico, já aposentado, segurando as passagens da próxima viagem que vocês vão fazer pra Roma.
- E vários álbuns com nossas últimas viagens e nossa família enorme e feliz! E ele vai ficar pensando ‘por que eu não fiquei com ela?’.
- Meu, eu tô contando a história. E tu merece coisa melhor que ele.
- Tá bom, Nicole.
- Enfim. Daí no outro dia o cara vai estar sozinho na fila do supermercado, esperando pra pagar por uma bandeja de iogurte de ameixa. Daí do nada tu vai aparecer. Tu vai estar com um neto no carrinho e comprando um monte de coisa que crianças gostam de comer. Tipo Bisnaguinha. E, sei lá, pastel. Daí a criança vai estar rindo, porque tu vai estar fazendo cosquinha nela. Daí tu paga tuas compras, vai pra tua caminhonete e vai embora. E o cara fica te olhando.
- Mas ele não tem a esposa dele?
- Tinha! Ela usou o dinheiro dele pra fazer um monte de plásticas e depois trocou ele por um cara 30 anos mais novo, que só tá com ela por causa do dinheiro. Mas não aquelas plásticas que ficam bonitas. Ela se espichou toda, e tá com um bronzeado laranja. E largou ele só com uma casa e um carrinho que faz barulho na surdina.
- Que bom! Ah, amiga, que coisa boa, né? Bem que podia ser assim...
- Vai que, né? Delícia mesmo é fazer essas realidades inventadas.
E a conversa continuou, e a gente seguiu caminhando em direção ao sol que já ia sumindo.
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- Pai, o que tu acha de eu escrever ficção?
- Acho que tu ia te sair bem, gafanhoto.
- Por que tu tá me chamando de gafanhoto? Oo
- Pra não te chamar de Luke ou Obi-Wan Kenobi.
- Tá, mas por que personagens de Star Wars?
- Porque eles são de ficção.
-Ah, tá.
