19 de fev. de 2013

enquanto estiver bom




O que a gente praticava era um jogo de desinteresses. Você, passarinha da asa quebrada. Eu, uma máscara de macho dominador, tendo escondido um cordeirinho sentimental por baixo. Você queria proteção e alguém para escutar os seus devaneios. Eu queria saber o que estava querendo. Embora juntos, não sabíamos para onde estava indo. E enquanto o percurso seguia sem nenhum obstáculo determinante, continuávamos traçando nossas linhas tortas. Não era nenhum enigma porque não existia nenhuma razão de ser. 

No fundo eu sabia que você iria pular fora a qualquer momento. Mas passou uma semana, duas. Um mês. E mais. Hoje estamos beirando um tempo que no início sequer parecia existir. Me olho no espelho e ainda vejo o mesmo cara de sempre. O mesmo nariz, a barba por fazer – com aqueles pelinhos inflamados que você insiste em apertar. Só que, sei lá. No fundo talvez alguma coisa tenha mudado. 

Onde isso vai dar eu não sei. Mas sigo enquanto estiver bom.

18 de fev. de 2013

essa sou eu não voltando às aulas


Quando eu era criança eu ansiava demais pelo retorno às aulas. Sempre fui do tipo que se entedia com facilidade e achava um saco ficar de férias em casa. Mas mais do que voltar para a escola, aprender e ver minhas amigas, eu aguardava com ansiedade o momento de comprar os materiais escolares. Era simplesmente o evento mais legal possível.

Ter uma lista e circular a livraria atrás de cada item. Quando a família estava com mais grana, escolhia cadernos lindos. Quando era época de segurar os gastos, escolhia papeis bonitos para encapar os cadernos mais simples.

Era – e, ok, ainda sou – apaixonada por lápis de cor, borrachas, coisas coloridas. E sempre comprava uma cartelinha de adesivos para deixar minhas coisas com minha personalidade infantil.

Então eu entrei no ensino médio e o máximo que eu fazia era comprar grafites para minha lapiseira, folhas para o meu fichário e alguns materiais específicos para a aula de artes.

Então eu entrei na faculdade e passei a usar canetas que ganhava de brinde e qualquer folha de agenda que estivesse livre.

E então eu me formei na faculdade e entrei numa fase da vida até então desconhecida. Um vácuo. Uma época de volta às aulas em que eu não volto pra lugar nenhum, porque minha pós-graduação começa só em abril.

Acho que vou comprar um caderno bem lindo, mais um combo de adesivos e canetas com cheiro de morango. Só pra me sentir de novo nessa fase gostosa de recomeço. 

Comprar caderno com desenho de pônei é demais pra uma mulher de 23 anos?


4 de fev. de 2013

o dia da formatura: cerimônia



Quando as pessoas me diziam para aproveitar cada minuto da formatura, pois passaria num piscar de olhos, eu meio que não acreditava. A espera pelo dia 18 estava se alongando absurdamente e parecia que não ia chegar NUNCA. Como, então, o dia tão aguardado passaria rápido? Pra mim parecia impossível.

É clichê admitir, mas passou voando. O dia 18 chegou e foi embora. E, PQP, já é fevereiro! 

A quinta-feira que antecedeu a sexta de formatura foi insanamente trabalhosa. Recortar enfeites, organizar mesas, varrer o salão, baixar músicas, receber fornecedores, correr para comprar coisas que estavam faltando... No final do dia eu estava toda morta, mas com um sorrisão no rosto e a certeza de que estava prestes a viver um dos dias mais FODAS do ano. 

E não é que eu estava certa? 

Foi lindo, foi inesquecível, foi divertido. Deu um frio na barriga bom, uma ansiedade gostosa. Borboletas dançando Gangnam Style no meu estômago. 

Não vou entrar em muitos detalhes, senão me empolgo e escrevo um texto gigante que ninguém – exceto minha mãe – vai ler. Se uma imagem diz mais que mil palavras, aqui vão várias para vocês.

Primeiro, vídeo dos bastidores. Eu nervosa, falando merda. Hahahaha! Pra ver, clica. Agora, foooooooooooootos! 





Até mais! :)

31 de jan. de 2013

pensamentos de uma nicole formada.



Eu continuo aquela mesma Nicole de sempre. Chata, engraçada e numa luta constante com a balança. Porém, agora carrego um novo título: sou bacharel em comunicação social. Em outras palavras, me tornei uma jornalista diplomada. De uma maneira prática, o que isso mudou na minha rotina até agora? Duas coisas: agora eu não preciso mais ir para a faculdade todas as noites e quando eu me olho no espelho posso dizer “olá, jornalistona”. É, por enquanto é isso. 

Quando eu era pequena sonhava em ser repórter. Correr atrás da informação e contra o relógio, descrever em textos curtos o que acontece no mundo. Até pensava em, quem sabe, assumir a bancada do Jornal Nacional ou coisa do tipo. Mas vem a vida e coloca as coisas no lugar que ela quer, não é mesmo? Acabei caindo de paraquedas no mercado publicitário - e me apaixonando.  

Aprendi muito no curso de jornalismo, e os conhecimentos que tirei de lá me ajudam na minha profissão. Sem contar que as experiência vividas ao longo desses 7 anos são inesquecíveis – e as amizades eu vou levar pra sempre. 

Blair falando por mim.

Nos próximos posts eu vou mostrar um pouco mais sobre a cerimônia, que foi um sonho, e a festa, que foi uma ousadia embriagada e maravilhosa. Na real, acho que escrevi esse post meio que pra mim mesma. Tipo uma forma de deixar a ficha cair e começar a colocar as coisas no lugar. É que é muito doido, né. Quando tu espera tanto por uma coisa e então, pluf, ela vai lá e acontece. E eu me formei. 

Um ciclo acabou e eu tô louquinha para começar outro. Fevereiro começa amanhã, e nós vamos que vamos, não é? BEIJO, BRASIL!

30 de jan. de 2013

cara, imagina na copa



Inconformada com tantas coisas nesse nosso país tropical, eu sou uma das primeiras pessoas a comentar “cara, imagina como vai ser na Copa”. Eis que hoje tive motivos para acreditar que ok, talvez as coisas não deem tão errado assim... 

O projeto Imagina na Copa reúne histórias de jovens brasileiros com iniciativas para dar uma ajeitada no Brasil. Iniciativas que tem por objetivo deixar o país prontinho para receber a Copa e ser campeão. É claro que esse campeão vai muito além do âmbito futebolístico, né?

Gamei no vídeo de apresentação do projeto. Ando numa vibe muito all tipe ultimamente. Ou sempre. Enfim. Play nele! 



Até o momento, 4 histórias já foram publicadas lá no site. Ainda serão publicadas mais 71 até o apito inicial das partidas. Bora conferir, acompanhar e apoiar tanta ideia bacana?

http://imaginanacopa.com.br/

29 de jan. de 2013

eu teria morrido na boate kiss



No domingo de manhã poderia ser a minha mãe a estar nervosa, apreensiva, lotando meu celular com 104 chamadas sem nenhuma resposta. Poderiam ser os meus amigos me procurando em uma lista com mais de duas centenas de nomes que jamais terão um rosto sorridente associado. 

Se eu estivesse na boate Kiss, em Santa Maria, provavelmente teria ficado entre as vítimas que foram queimadas, asfixiadas, pisoteadas.  Sim, é bem provável.

Em situações confrontadoras, o meu instinto é fugir. Porém, em meio ao escuro, à fumaça e ao pânico, acho que eu ficaria sem ação. Provavelmente seria uma das pessoas que cairia no chão e lá ficaria. Até quando? Até o fim? Talvez. 

Toda essa situação me chocou e me tocou demais. Me fez lembrar em todos os lugares com estrutura pobre que já fui. E todas as festas com dançarinos e divertidamente perigosas brincadeiras com fogo. As imprudências pelas quais passamos achando tudo lindo, engraçado.

Mania boba que a gente tem de achar que tudo é eterno. Novela acaba, a forma de bolo tem o último pedaço e as pessoas que a gente mais ama se vão. Porque assim é a vida, ela começa, vai e um dia termina. O maior clichê é a mais pura verdade: a gente já vem pra cá com data de validade. 

A partir de agora, mais atenção com os lugares onde colocamos nossos pés. E mais valor aos momentos que passamos com nossos amigos, nossas famílias, em nossas casas e trabalhos. A gente nunca sabe se vai ter que ir embora sem nem dizer um último adeus.